Friday, October 06, 2006

Alzheimer Político

Política é sempre um assunto que causa dois tipos de reação: a empolgação dos antenados de plantão, ou o tédio dos que não se interessam pelo poder político. eu faço parte do segundo grupo. No entanto, as eleições 2006 foram tão surpreendentes que nem eu consegui me calar.
Num ano em que a política se encontrava completamente enfraquecida e o horário político teve um déficit significativo em sua audiência, o resultado nos deu um susto e uma sensação de completo desespero.
A Bahia deu um fim na hegemonia Carlista e pegou toda a população baiana de surpresa, desde os seguidores ortodoxos do PFL, aos petistas de plantão. Vagner contrariou as mais renomadas pesquisas, venceu no primeiro turno e quase matou nosso "querido" cabeça branca do coração.
ACM se viu sem a prefeitura soteropolitana, sem seu "precious" governo do estado, e ainda teve que aguentar o segundo lugar de Rodolfo Tourinho que perdeu pra o queridinho do dos servidores do estado, João Durval. Essa virada no cenário político baiano fez brotar uma semente de esperança que há muito havia sido plantada naqueles que estavam saturados dos desmandos carlistas.
A situação agravante encontra-se no cenário nacional. Os resultados das urnas revelaram uma população que sofre de, no mínimo, perda de memória recente e falta de compreensão da importância dos nossos representantes políticos.
Nosso maior colégio eleitoral nos deu um verdadeiro morde-assopra, que deixou um país verdadeiramente apoplético. Os paulistas, que são a população desenvolvida perdido no falido Brasil, nos presenteou com vitória de Eduardo Suplicy com quase 9 milhões de votos. E do outro lado da moeda fizeram de Paulo Maluf o deputado federal mais votado do país. Será que a troca foi válida? Eu voto no não.
São Paulo não foi o único estado que demonstrou completa falta de consciência política. Nosso grande ex-presidente-confiscador de poupanças Collor, será mais um representante na capital do país. Delúbio-mensalão reforçará o time dos cara-de-aço que tomarão posse de cabeça erguida e consciência limpa, porque nós, brasileiros, fornecemos a água e o sabão para a lavagem.
E como não poderia faltar a diversidade e a mistura característica do brasileiro, o time de representantes se completa com Frank Aguiar e Clodovil, que afirmou não ter prometido nada a ninguém e que por isso não tinha proposta, que não sabia o que faria lá. E para não ser injusta, ele sabia duas coisas: 1)Não mudaria de residência. Faria como todos. Viajaria na terça e voltaria na quinta; 2) Estaria muito bem vestido, como sempre. E assim formamos nossa representação política. Ou melhor, quase formamos. Está faltando o nosso presidente-operário, que simplesmente nunca sabe de nada.
No fim teremos a programação televisiva preferida dos brasileiros: Malas recheadas, dinheiro na cueca e pizza, mas agora ao som de um forrozinho. E enquanto uns dançam, outros não sabem o que acontece, nem que algo acontece e outros nem estavam lá e negam mesmo diante de provas...
O que todos eles terão em comum???? Estarão vestidos em ternos impecáveis. By Clô, claro!