A Nova Era Da 7ª Arte
Quem tem assistido os filmes mais aclamados da nova era da 7ª arte, pode constatar que essa fase de renovação vem com duas vertentes de abordagem: O social e o que eu chamo de "a vida como ela é". Explicarme-ei.
O Oscar foi um festival de filmes que consideraríamos "cult", tendo muitos deles sido exibidos em salas de arte (cito Orgulho e Preconceito, Brokeback Mountain e Boa Noite e Boa Sorte). Muitos chegaram a dizer que o Oscar havia mudado e escolhido esses filmes pra apenas mostrar um engajamento social. No entanto, esses filmes fazem apenas parte de uma nova tendência do CINEMA. Cada vez mais os fimes abordam temas mais sérios e deixam seus roteiros falarem mais que seus efeitos e explosões.
Outra tendência dos filmes atuais é a realidade cura, fria e muitas vezes triste. Filmes que mostram histórias de amor e hérios queridos pelo público tendo finais não tão românticos, longe de seus pares perfeitos. Filmes como "O Jardineiro Fiel", o próprio "Brokeback Mountain", Closer e, o que eu considero um dos pioneiros dessa nova onda, "Encontros e Desencontros", tratam não apenas do amor, mas principalmente da tristeza.
Os filmes não trazem o amor e sua beleza como primeira abordagem, mas têm a realidade cruel como foco, e o amor como uma salvação deliciosa, porém perecível.
O mais importantes desses filmes é que eles mostram, acima de tudo, que a vida é cíclica e que há momentos de sofrimento profundo, em que a morte parece ser a melhor opção, mas que depois de um tempo, as feridas cicatrizam e a vida continua. Que apesar das lágrimas, as pessoas levantam a cabeça e seguem seus caminhos. Que o amor dói, mas que nenhum amor é solitário, ele vem acompanhado de outros amores, e a vida é uma sucessão deles, sempre marcando as pessoas e seus corações.
Outro fator importante é o impacto que esses filmes causam naqueles que os assitem. Apesar de muitos falarem que não são muito fãs dos finais felizes, intimamente todos torcem pra que o mocinho fique com seu suposto "amor da vida", principalmente porque os que assistem interropem o acompanhamento da vida das personagens no momento em que os créditos começam a subir. Dessa forma fica suspensa o desenrolar da vida de cada um, e a simples possibilidades de eles terem acertado suas vidas tempos depois, não satisfaz os que estão do outro lado da tela.
Talvez por esse pequeno detalhe, os novos filmes mostram desfechos diversos e diferentes dos convencionais, mas sempre dão um jeitinho de deixar claro que, apesar de todo sofrimento, de uma forma ou de outra, todos ficam bem. E é assim que a vida é.
Outro fator discutivel pode ser notado em Closer, que traz uma rede de paixões que se complica a cada cena. Alguns acreditam que isso mostra que o amor não é perfeito. No entanto, como defensora fervorosa do amor, vejo o filme como um retrato de nós diante do amor: imaturos, despreparados, cegos em tiroteio.
Essa nova era do cinema traz não só uma legião de filmes muito bons, mas também um marco inportante. Uma época de amadurecimento até mesmo do cinema megalomaníaco e parco que os EUA insiste em gastar milhões de doláres produzindo.
Que essa fase seja próspera e duradoura, porque de qualidade ela já mostrou ser.

